Um católico pode participar do Carnaval?

Sei que vou desagradar a muita gente católica que tem paixão pelo Carnaval, espera ansiosamente pela data e dispara contra qualquer um que queira levantar a questão.

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Se aproxima o Carnaval e a volta de uma polêmica: um católico, ou de maneira geral um cristão, pode ir para as ruas e extravasar sua alegria como um grande folião?

A resposta pode começar com outra pergunta: alguém poderia dizer que o os blocos, desfiles e bailes de Carnaval não são ambientes propícios ao pecado, com tanto álcool, nudez e erotização? As modas das mini-roupas (as bermudinhas viraram o traje oficial!) e fantasias minúsculas ou de caráter sexual refletem o pudor daqueles que tem consciência de que são templo do Espírito Santo? Até mesmo as marchinhas já são um risco, pois embora muitas sejam interessantes e divertidas, boa quantidade delas carrega grande erotização.

Já participei da festa, mas há muitos anos não tomo conhecimento nem mesmo pela televisão e esta (anti)cultura não será transmitida por minha esposa e por mim aos nossos filhos. Aqui em casa não entra nem as músicas de Carnaval. E não é somente questão de gostar ou não, nem mesmo se trata de alienação. Mas é questão de acertar nossa caminhada para os caminhos que se afeiçoam mais com o Senhor. Sei que vou desagradar a muita gente católica que tem paixão pelo Carnaval, espera ansiosamente pela data e dispara contra qualquer um que queira levantar a questão.

E se alguns que levantam a questão forem santos, fiéis que conquistaram a glória de Deus ? Embora suas palavras não sejam o magistério da Igreja, seus conselhos merecem consideração. Por exemplo, Santo Afonso Maria de Ligório diz que a fuga das ocasiões de pecado é grande dever em nosso caminho de crescimento espiritual. Santa Faustina relata o sofrimento do coração de Jesus nos dias de Carnaval e São João Maria Vianey dizia que o anjo da guarda ficava do lado de fora dos salões de baile e que algumas danças são a “corda com que o demônio arrasta mais almas para o inferno”. Há muitos outros, mas comento ainda São Carlos Borromeu que jamais podia compreender “como os cristãos podiam conservar este perniciosíssimo costume do paganismo”. 

Se estes santos diziam isso com base no Carnaval de seus tempos, o que diriam se conhecessem as festividades de hoje?

Por falar em hoje, penso que devamos também considerar a orientação de Dom Henrique Soares, uma das grandes referências atuais da Igreja no Brasil, com sobriedade e verdade em todos os seus escritos e palestras, sendo seguido por milhares de fiéis pelas redes sociais:

Devemos, então, rejeitar em bloco o Carnaval atual?A resposta pronta não existe! Se um cristão julga poder brincar o carnavalzão do mundo sem cometer excessos, sem dar azo à imoralidade, sem a dispersão interior violenta que nos tira da presença de Deus e da realidade, então brinque em paz! Eu duvido muito que isto seja possível, mas é preciso respeitar a consciência de cada um! Eu mesmo sugiro, como pastor da Igreja, que os cristãos deem preferência a brincar o Carnaval em grupos de cristãos, de modo puro, sereno, inocente, fraterno, com toda alegria que nasce de um coração que sabe o sentido verdadeiro da existência.

Então, fica o questionamento, mas a decisão é individual. A liberdade é um presente que Deus nunca vai nos tirar.